Com enfoque em comunicação racional, tem como agente principal a palavra, escrita ou falada, cujo valor é a comunicação precisa. Nesse sentido, filósofos gregos entenderam também que emissão de palavras era apenas uma das suas propriedades para transmitir, todo um complexo sistema racional e inteligente, usando apenas palavras. Portanto, logos passa a ser um conceito filosófico traduzido como a capacidade de racionalização individual ou como um princípio cósmico da ordem e da beleza. Entretanto, estes filósofos tinham em mente que todo o Universo se restringia ao que hoje conhecemos como um trecho do sistema solar e algumas estrelas que podiam ser observadas a olho nu. Por isso o termo cósmico não deve ser entendido atualmente como algo generalizado universalmente, por isso o logos como um conjunto de propriedades abstratas pessoais e impessoais, restringe-se agora ao local da nossa interação do Universo, onde está o planeta Terra e a humanidade, se bem que, enquanto razão, está distribuído em doses adequadas aos demais seres constantes deste ambiente.
Natureza e abrangência do Logos
Por isso o logos nunca poderá ser visto como um ser racional ou pessoal, que implica personalidade ou pessoa, antes o logos é um sistema que abarca dados e procedimentos cujas propriedades pessoais e impessoais, como uma base* de conhecimento. O termo sofre algumas explicações e significados específicos no sitio filosófico, mas é a partir de Heráclito, que assume o significado de um completo sistema de propriedades, que possibilitam ao cérebro dos seres vivos interagir com o universo local de forma inteligente e compreensível. Nesse sistema, constam funções que utilizam parâmetros de inteligência ou compreensão, que se exteriorizam, expressando-se por meio de palavras imaginadas ou atos possibilitando a elaboração de estratégias, projetos, sistemas e a execução de ações. Como não representa algo singular, a tentativa de exemplificar palavras para explicar esse sistema racional, além de insuficiente pode ser prejudicial à sua compreensão caso ultrapasse a simples analogia.
Um sistema de expressões dos seres
Talvez uma forma elegante exemplificar o logos seria o termo logía, que é usado como segundo elemento de várias palavras compostas, indica: conhecimento de; explicação racional de; estudo de, portanto logos sugere a razão, o sentido, o valor, a causa, o fundamento de alguma coisa, o ser da coisa seja pessoal ou impessoal, real ou imaginária. É também a razão conhecendo e manipulando coisas, pensando os seres, a linguagem que nomeia ou profere ideias, definindo o sentido ou o significado delas. Embora alguns estudantes modernos e religiosos entenderam que nos escritos de Heráclito, se sugeriu a existência do logos como um ser independente e pessoal, é necessário saber que ele não entendia assim, pois usava a palavra com um significado semelhante à maneira como era utilizada no grego comum dessa época. A sugestão de um logos pessoal com existência independente parte de uma opinião religiosa baseada na idolatria, como, por exemplo, deixa transparecer os escritos de Diels-Kranz que dão ao logos características de um provedor pessoal.
Estoicismo
Como um exemplo, citamos o estoicismo que é uma doutrina filosófica que interpretava o universo como um corpo governado por uma inteligência divina. Trata-se evidentemente de uma hipótese particular baseada num entendimento antropomórfico dos escritos de filósofo. Na doutrina do estoicismo, a alma se identifica com este princípio cósmico, como parte de um todo ao qual define como o Uno. É essa inteligência universal que coordena todas as coisas; tudo o que surge, é a partir dela, e de acordo com ela. É a sua presença que faz do mundo um cosmos, ou seja, organizado e em equilíbrio. Como toda teoria que não leva em conta os detalhes diferenciais do seu objeto, o que o estoicismo não explica é que essa ordem (cosmos) não faz parte da vida no universo, principalmente da alma humana. Por outro lado, fica implícito que essa inteligência que estudantes religiosos citam como o logos e que os teólogos cristãos adaptaram ao cristianismo, não faz parte de todo comportamento cristão, logo a opinião estoica de um Universo corpóreo cuja mente determina o cosmos, na prática é uma falácia. A bem da verdade, não se sabe exatamente se os estoicos pensavam assim, pois isso pode ser um argumento dos teólogos trinitarianos para justificar a crença em um logos que era D'us.
Uma linguagem acessível
Como seres racionais, a mensagem divina também nos é racional, e deve ser assim para que possamos entendê-la sem dificuldades ou a necessidade de um mediador ou uma iniciação, nesse caso na explicação do logos, além de não se utilizar o termo verbo - como é de uso dos cristãos, cujo significado em grego é “ρήμα - rema”, e como é racional, não se deve ainda utilizar abstrações e comparações de “verbo” como na alegoria com o auxiliar ser e estar na frase “Eu sou”, que os teólogos fazem supor ter sido dita a Moisés, uma vez que a analogia envolve um texto hebreu que não significa exatamente isso, e mesmo se significasse não é possível utilizá-lo, como os teólogos vêm fazendo, por restrição do idioma hebraico cuja aplicação do auxiliar não pode ser feita na primeira pessoa do tempo presente. Mas se quisermos, para efeito de estudo, generalizar as propriedades do logos podemos dizer que:
Logos reúne num só vocábulo, seis sentidos principais:
1. linguagem - a palavra, comunicação, oratória, poesia, etc..
2. pensamento - comparações, imaginação, sentimentos,personalidade, fé
3. razão - raciocínio, lógico e numérico, cinemático, abstrações
4. normas e regras - moral, ética, direito, justiça, etc..
5. discutir a realidade íntima de alguma coisa
6. a escolha de um alimento por um ser racional oi irracional
7. verbo ou ação… etc..
Conclusão
Segundo nossa tese, o Logos não é um ser vivo, antes está mais para um tipo de software provido de um banco de dados que os seres fazem uso na sua interação, ou seja tudo o que está disponível para ser utilizado não é, senão essa base que representa e contém todo conhecimento possível de acesso e expressão em nosso Universo. O que da base não conste é tido no setor do Universo onde interagimos, como inexistente, ou seja, não é passível de acesso ou expressão por omissão. A presente conclusão permite a inferência que a abrangência do logos aplica-se apenas e esse Universo, portanto não sendo eterno e nem único, senão que é um dos sistemas que se relacionariam com as propriedades dos universos que podem ser realizados pelo Criador. Acrescentamos que nossa tese se fundamenta na hipótese dos Multiversos, que de alguma forma, não especificamente por desconhecer a teoria, no meu entendimento se referiu ribi Hasdai Crescas em sua afirmação que Hakadosh, baruch hu, criou mundos finitos dentro de um Universo infinito.
* é um tipo de base de dados, como empregado na realdade virtual
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