Neste
artigo vamos nos ater a discussão sobre a origem do Universo. Vamos
admitir como premissa que o Universo é uma realidade objetiva, ao
menos para nós, os seres vivos. Caso não fosse não estaríamos
aqui a discutir sobre a sua realidade, ou por outro lado simplesmente
não existimos e, portanto não há discussão alguma e quem lê
estaria diante de uma irrealidade, aliás o próprio leitor seria uma
irrealidade. Todavia sabe-se que há uma realidade objetiva e um
simples experimento pode confirmá-la basta apenas fazer uma
interação física com o polo vivo da rede elétrica.
Possibilidades
do surgimento do Universo
Desde
a muito se descarta a possibilidade do Universo ser infinito, ou
seja, que sempre tenha existido, uma vez que do ponto de vista da
física moderna isto é impossível. Nos ateremos às possibilidades
remanescentes que poderiam dar origem ao Universo, de acordo com a
opção de que haja ou não um agente criador; que haja uma causa ou
sua origem seja obra do acaso. Neste paradigma há, pelo menos, três
possibilidades:
- que o universo tenha aparecido por acaso, ou seja não houve causa alguma para o seu surgimento ou, por outro lado que a causa da sua existência foi o acaso.
- que o universo é a materialização resultante do colapsamento de potencialidades por influencia de um observador. essa possibilidade liga-se ao paradigma indeterminista da mecânica quântica.
- que o universo tenha surgido por meio de uma causa que se reflete nas propriedades e organização observada em suas leis.
Possibilidade
do acaso
Admitir
que o universo tenha surgido por acaso significa acreditar que ele
surgiu sem causa alguma que o tenha caracterizado desde o seu início
ou o caracterize na sua forma atual. Ou ainda que a causa da sua
existência é o acaso! Embora seja uma opção é necessário
entender que antes do universo existir, pela própria definição de
acaso, não havia nada que pudesse lhe dar existência, ou seja,
nenhuma possibilidade ou probabilidade que viesse a existir.
Nesse
caso a única explicação para justificar a hipótese seria admitir
a ocorrência de um evento altamente místico, sem que
houvesse um mágico para provocá-lo, independente do tempo que dá
origem mágica ao Universo, o que certamente fugiria completamente
dos objetivos dos adeptos do acaso. De qualquer forma a explicação,
mesmo esta da magia requer tanto o uso da razão como do mágico,
logo supondo-se uma causa para a origem do Universo. Antes de assumir
qualquer explicação deve-se considerar que acaso implica na falta
total de causa, portanto acaso nunca será uma causa!
Por
outro lado, em se tratando de acaso, no caso especial da origem do
Universo, mesmo que não se saiba e nem se considere, alguém possa
admitir que o acaso será sim uma entre outras possibilidades do
surgimento do Universo, ou uma das probabilidades que o evento tenha
ocorrido. A questão então gera ao menos duas perguntas:
- Como poderemos considerar sequer uma possibilidade onde não havia absolutamente nada?
- Ou então como poderemos explicar a ocorrência de um evento com base na afirmação de que não houve razão alguma para acontecer?
Reformulando
a pergunta II, a questão que surge quando se admite que o Universo
tenha surgido por acaso é:
Como
explicar racionalmente o surgimento de algo para o qual não houve
razão alguma para que viesse surgir, mas surgiu?
Sim
porque qualquer explicação que se queira dar implica o uso da
razão, e se alguém quer ainda manter essa ideia deve também
responder, se há alguma razão para algo surgir por acaso e que
razão seria essa! Nesse caso o surgimento do universo por acaso é
descartado como sendo uma falácia, ou seja, nisto se resume o
absurdo: utiliza-se da razão para justificar um evento que não tem
razão alguma para acontecer!
Uma
aparente solução seria não utilizar de forma alguma a razão para
explicar o Universo caso tenha surgido por acaso, o que constitui em
si uma contradição, pois uso da razão para propor a hipótese de
que não há razão alguma que justifique um evento que tenha
ocorrido.
Nenhum
tipo de razão tem meios de explicar o acaso, senão no caso de
afirmar que a única forma de discutir o surgimento de algo por acaso
é que não há razão alguma para ter surgido. O acaso faz parte, se
é que ocorra, de um conjunto finito de possibilidades dentro de um
limitado ambiente de análise, e sob estas condições seria apenas
mais uma possibilidade dentro do Universo já formado, pois antes do
seu início, segundo critérios estabelecidos pelo próprio acaso,
não havia possibilidade alguma.
Nesse
paradigma casual o surgimento do universo não admite razão alguma
para que tenha surgido, mas essa afirmação é feita pela razão,
porque afinal os que defendem a ideia de acaso a defendem por uma ou várias razões.
Os
limites do acaso; ambiente de análise
Muitos
estudantes confundem-se ao considerar o acaso como uma identidade
absoluta, de abrangência ilimitada e independente das demais
possibilidades, quando de fato a experiência científica diz que o
acaso, ou o conceito de acaso está relacionado com o todo como
qualquer outra possibilidade e restrito a um ambiente de análise.
Portanto, a definição de um evento como promovido pelo acaso está
preso à noção de extensão do ambiente de análise. O que isso
significa? Significa que alguém ao considerar o ambiente da
ocorrência de um evento limita o ambiente a certa região, seja real
ou imaginária e um ponto de partida admitido arbitrariamente. Por
exemplo, tentemos responder a pergunta:
Existe
a possibilidade do planeta Terra ser atingido por um meteoro por
acaso?
A
resposta do senso comum seria que sim. Mas qual seria a resposta
baseada no estudo metódico? Seria que não, pois de fato nenhum
evento deste tipo poderá ocorrer por acaso. Mas porque o senso comum
diria que sim?
- porque, pelo senso comum, o conceito de acaso é da ocorrência de um evento imprevisível!
- porque ao considerar o choque o senso comum não leva em conta a extensão do ambiente, o ponto de onde ele partiu, os efeitos da força da gravitação universal sobre o corpo durante a sua trajetória que causou o seu desvio em direção ao planeta, a posição do planeta quando ocorreu o evento causador, a velocidade de ambos os corpos e as prováveis curvas que foi forçado a traçar devido as perturbações no espaço tempo.
Considerando-se
todas as condições e variáveis envolvidas, num evento qualquer,
conclui-se que acaso não existe de fato, mas é uma abstração
criada pelo cérebro diante da incapacidade em resolver um fato
surpreendente por ausência de dados. Isso de fato é uma maneira de
racionalizar o evento, ou seja racionalizar o acaso! Estas variáveis são de fácil compreensão
quando estende-se os limites de observação do objeto e se
consideram todas as possibilidades de trajeto que culminariam no
evento. Alguém diria que prever de variáveis nesses casos é
impossível, não sem razão, porém apenas operacionalmente, mas
mesmo assim a dificuldade em enumerar todas as variáveis envolvidas
num evento não implica em admitir o acaso.
O
acaso e a física quântica
Um
estudante levantaria uma questão quanto ao que foi exposto no
parágrafo anterior argumentando que talvez a "incerteza em
definir" que um evento tal como o citado ocorra ao acaso, se
deva a que todas as variáveis e condições foram consideradas sob o
paradigma da escola clássica. Por isso, não apenas leigos ou
estudantes iniciantes na matéria alegam que o fenômeno ocorrido no
nível quântico pode ser ocasionado pelo acaso e mais ainda que por
isso é impossível prever-se o local de certo tipo de fenômeno.
Antes
de citar o argumento é necessário esclarecer que a principal
diferença entre a física quântica e a escola clássica é de
abordagem, pois a física clássica é uma extensão da física
quântica, e consiste em que no paradigma clássico observamos a
matéria sinteticamente enquanto no quântico a observamos
analiticamente. Do ponto de vista clássico sabemos como e quando um
fenômeno irá ocorrer porque estabelecemos limites para toda
extensão do objeto sujeito ao experimento, a sua posição e
localização, e assim ele possui apenas um caráter corpuscular
sendo, dentro deste experimento, sob o ponto de vista clássico, uma
única partícula! Mas não é. Na mecânica quântica vemos as
partes de um corpo e pretendemos analisar estas partes, e não
sabemos senão de probabilidades da localização onde ocorrerá o
fenômeno dentro deste conjunto, que é um ambiente de análise. Veja
a probabilidade pela natureza da matéria naquele nível e não o
acaso, há aí uma grande diferença porque sabe-se que ocorrerá
naquela extensão. Neste caso ainda podemos falar de limites, mas o
que é mais importante é que o fenômeno tenha partido de qualquer
lugar da amostra e isso tem uma razão de ser, ou seja foi provocado
por alguma propriedade da matéria sobre o conjunto. Então na
mecânica quântica tratamos a matéria isolando a partícula do
conjunto e as leis internas de interação, mais importantes deste
conjunto, são de caráter eletro magnético, e embora saibamos que
essas influências estão no conjunto e certamente causarão o efeito
previsto sabemos e definimos com precisão a probabilidade de onde o
fenômeno físico se manifestará. É exatamente isso o que acontece
num corpo como um meteoro, pois sendo composto de grande número de
partículas, não sabemos em que ponto do corpo se deu, mas se deu
precisamente em algum lugar do corpo, a maior probabilidade é que
tenha sido no seu centro de massa e isso é tido para efeito de
cálculos como a única hipótese possível. É isso exatamente o que
fazemos, ou seja, a probabilidade de que o fenômeno ocorra é sempre
no conjunto de todas as partículas que compõe o corpo a diferença
é que aqui, por meio de síntese, vemos todo conjunto como uma única
partícula, mas isso é apenas ilusão dos nossos sentidos. É isso
que disse Hawking que na mecânica quântica, a incerteza
sobre a ocorrência de um evento é de cinquenta por cento, ou seja é
possível ter certeza ao menos da metade. Para que se tenha uma
ideia, por menor que seja essa porcentagem, desde que não seja nula,
o acaso sempre será uma falácia, pois o acaso depende de que essa
porcentagem seja nula!
Argumentos
utilizados para justificar o acaso
O
texto abaixo é um argumento típico que pretende relacionar a física
quântica e o acaso. Escreve o comentarista:
“Para
fenômenos microscópicos a situação é radicalmente diferente; aí
imperam estados de comportamento bizarro (!) e que obedecem somente o
acaso (?). São fenômenos aleatórios objetivos (ou seja, o acaso
absoluto), como o pulo de um elétron de um nível energético para
outro sem passar por estágios intermediários”
Antes
de analisar o comentário é necessário conhecer um pouco do que
ocorre com o elétron na eletrosfera de um átomo, ou seja a região
de ação dos elétrons que é mais precisamente um nível de
energia. Para isso a região é dividida em até (7) camadas ou
níveis energéticos, vide figura.
Para
cada um dos níveis da eletrosfera existe um número de orbitais onde
se instalam os elétrons cada um de acordo com sua energia e com a
propriedade conhecida como spin. Evidentemente o real número de
níveis depende do núcleo atômico, que define o número de elétrons
possíveis na eletrosfera, por isso nem todos os átomos terão o
número de níveis previsto. O que ocorre na instalação dos
elétrons no orbital é que são permitidos apenas dois em cada
orbital e os respectivos spin devem ser diferentes. De acordo com
esta regra determinado elétron somente ocupará lugar em determinado
orbital se houver vaga e se for de spin diferente do outro, caso já
haja algum elétron no orbital o que acontece, pois o spin será
ajustado automaticamente. Outra propriedade dos átomos informa que
os elétrons se dispõe na eletrosfera de acordo com sua energia de
estado fundamental em órbitas elípticas estacionárias, ou seja, em
níveis localizados.
Como
então um elétron pode saltar de um nível energético para outro de
maior energia?
É
simples, basta que ele receba energia a partir de alguma fonte
existente, seja por meio de luz, calor ou de ondas eletromagnéticas.
No exemplo abaixo, usando uma lanterna, que bombardeando um átomo,
adiciona a energia de um fóton ao elétron.
Por
outro lado, deve-se considerar, nesta equação, que a devolução da energia adicional
também sofre influencia dos demais átomos do conjunto que estejam
nas vizinhanças. Além do que, no Universo, nenhum átomo está
isolado senão rodeado de muitos outros de maneira tal que, na nuvem, elétrons instalados nos níveis de mais alta energia são
compartilhados entre átomos vizinhos. De qualquer forma, todo
fenômeno que ocorre neste meio depende das interações do conjunto
o que corresponde, neste caso especial, à extensão dos limites de
análise.
É óbvio que, caso
não se considere todas as variáveis envolvidas num evento é provável que
algumas ocorrências ficarão sem explicação e perguntas sem
respostas sendo por isso atribuídas ao acaso. Por exemplo, o estudo
feito sobre um átomo isoladamente não refletirá a realidade porque
não há na natureza átomos isolados.
Então
se viu que o elétron salta para o nível adequado de acordo com a
energia recebida, e como o elétron tende a estabilizar sua energia e
o salto energético foi provocado pelo acréscimo de energia então
reemite a energia excedente de volta ao ambiente e volta para o nível
em que se estabiliza, pois é isso que acontece nessas interações.
O
fato de voltar ao seu nível de estabilidade sem passar por estágios
intermediários também não representa mistério algum, pois é isso
mesmo que deveria acontecer porque a diferença de energia é
reemitida para o ambiente ficando apenas a energia correspondente ao
nível que ocupava. É isto que a teoria quântica prevê; há uma
razão bem definida para que isso ocorra, e portanto aí não há
nada que implique em acaso.
Então
como se vê não há nada aí que seja imprevisível e muito menos
obra do acaso, mas há razões bem definidas para que o fenômeno
aconteça. O fato de não ser possível determinar o instante do
salto também não tem fundamento, pois depende das interações que
o elétron ou elétrons estão sujeitos por influência do ambiente
em que se encontra. De fato todas as interações relativas a saltos
de nível devido absorção de energia fotônica e o retorno ao nível
estável pela emissão da energia sobressalente devido absorção,
são probabilisticamente previsíveis e se dão onde se espera. Mas
além de toda essa explicação poderíamos ainda pensar que pela lei da
incerteza, na mecânica quântica, existe um determinismo de
cinquenta por cento em todo fenômeno, ou seja, na mecânica quântica
é possível saber pelo menos a metade sobre um evento, afirmações
estas assinadas por nada menos que o maior cientista contemporâneo
Stephen Hawking; repetindo, o acaso somente existiria se essa porcentagem fosse nula.
O
paradigma indeterminista da mecânica quântica
Dos
estudos que deram origem à mecânica quântica a conclusão mais
importante foi a que gerou o conceito do indeterminismo proposto por
Niels Bohr e que ficou conhecido como o paradigma indeterminista da
escola de Copenhague, a cidade onde Bohr habitava. Se este paradigma
reflete a realidade do Universo, ou seja, estiver correto, então
para que o Universo tenha se tornado uma realidade objetiva, foi
necessária a presença de um observador pré existente externo ao
Universo que, através da tomada de consciência das suas
potencialidades de vir a ser, provocou o colapsamento destas
potencialidades originando o Universo como a realidade objetiva
dentro da qual estamos discutindo essa possibilidade.
Esta
é apenas uma das possibilidades que, porém representa uma hipótese
científica a ser considerada e que surtiria os efeitos tais como os
observados atualmente. Contudo, de acordo com este
paradigma a causalidade é quase totalmente refutada e a verdade
objetiva não existe, mas não existe antes da tomada de
consciência da potencialidade, pois implica na necessidade de uma ação do
observador, então resta uma única e fundamental causa observacional
sem a qual as potencialidades do vir a ser não se materializariam no
Universo!
A
visão racional e determinista da mecânica quântica.
Se
o paradigma indeterminista não estiver correto, então o Universo se
tornou uma realidade objetiva, a partir do nada, por meio de uma
causa bem definida o que também implica um agente. Portanto, vemos
que, com base em nossos conhecimentos da natureza do Universo, não há
possibilidade alguma que possa eliminar da criação o que ou quem
teria dado origem ao Universo.
Ainda
restam duas perguntas: Como compreender a partir daí como chegamos a
este grau de inteligência, consciência e compreensão dos
fundamentos do Universo e da vida aqui presente? Sim porque todas as
propriedades que compõem a essência dos seres vivos, principalmente
a nossa, são sub produto das propriedades do que ou de quem
converteu as potencialidades primordiais na realidade objetiva e suas
ocorrências reais das quais somos protagonistas. Enquanto aderia a
filosofia ateísta me vi conduzido a este paradigma do Universo
gerado por um observador pré existente, pois se a ciência que venho
estudando por toda minha vida é confiável, não há outra saída.
Concluindo
É
fácil verificar que o acaso, como algo mal entendido é descartado
completamente de uma teoria científica sobre a origem do Universo,
seja pela definição como por sua relação com o todo já formado
em que representa apenas mais uma das possibilidades de ocorrência
de um evento interno, com o agravante que, no caso do início do
Universo, carece de um complemento místico, mais especificamente de
magia. As duas outras possibilidades restantes reduzem o evento do
Universo à necessidade de um agente que lhe de status de realidade
objetiva, a saber: No caso do colapsamento de potencialidades, um
observador pré existente, No caso da criação ex nihilo, ou seja, a
partir do nada, um agente criador. Portanto, não haveria outra
possibilidade que pudesse eliminar o que ou quem teria dado origem ao
Universo.
Pequeno
exercício de lógica sobre o Universo surgiu por acaso
Porque
atribuir a origem do Universo ao acaso é um sofisma, ou seja, um
raciocínio errado com aparência de certo? O que invalida esse
raciocínio é se valer da razão para afirmar que algo não tem
razão alguma para acontecer. Sim é isso mesmo e se alguém pesar
essa afirmação verá que se encontra a existência de algo na sua
negativa, ou seja, não se pode reunir provas de que algo não exista
e essa condição por si implica que, se algo produz raciocínio de
que não pode existir, mas que não possui as provas, então por
estas provas, o que se pretende negar a existência existe! Por
exemplo quero provar que algo não existe. A pergunta seria: qual é
o algo que você quer provar que não existe? Eu digo algo! Então
trato como real algo que desejo provar que realmente não existe! Por
isso é que atribuir o início do Universo ao acaso é uma falácia!
Postado
por Talmid Katan
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