אמר רבי יוחנן: גדול קיבוץ גלוית כיום שניבראו בו שמים וארץ
ההגדה
Será que R Yiohanan imaginou a complexidade desse movimento de retorno, em todas as suas variantes? Teria ele imaginado na sua época os conflitos pela legitimidade? Perguntas aparentemente sem respostas. Mais há outra pergunta seria: Diante de tantas dificuldades, por quê tantas pessoas ainda hoje desejam se identificar com Israel? Alguém disse que sob o paradigma de kibutz gueluiat, é provável que estejam ouvindo o som do shofar divino convocando seus rebanhos dispersos pelas nações. Se de fato é o toque do shofar, ouvir esse som estritamente divino é uma propriedade de neshamá, ao identificar a voz conhecida (o fôlego da vida, que a criou). Embora não livre de incertezas, esse movimento é fascinante.
Mas nem tudo soa tão poético, pois há um problema nesse retorno, talvez nunca imaginado por R Yiohanan: pois como saber se todos os postulantes pertencem ao rebanho? O problema se estabelece em torno da igualdade e alguns podem não serem tão iguais quanto outros, que não se conformam com a presença dos menos iguais. Pensar, que isso é assunto discutido apenas entre ou contra movimentos atuais que procuram assumir uma postura judaica está enganado. Esse tipo de, por assim dizer, segregação, existe desde os tempos de Ezra haSofer, na reconstrução do segundo templo, quando israelitas que haviam tomado cônjuges gentios foram reprimidos e muitos tiveram que optar entre abandonar suas famílias, ou a comunidade israelita.
Mas isso não parou naquele tempo, pois há mais ou menos dois séculos passados, a comunidade judaica na Inglaterra era tão igualmente desigual quanto hoje. Na época, sefardim não aceitavam fazer suas preces senão apenas com sefardim, e nem que não sefardim entrassem nas sinagogas! Se aceitos em algum serviço, o eram por simples tolerância. Mas, isso estava correto? De fato o tempo mostrou esse erro, e sefardim e ashkenazim passaram se reunir sem nenhum empecilho. Mas como teria mudado essa situação? É simples, por meio de uma fórmula natural: A história de um romance que envolveu um paradoxo halákhico, nascido no coração de um riquíssimo judeu português, membro da Congregação Portuguesa e Espanhola de Londres, em meados de 1820, Sir Moshê Montefiori que derrubou barreiras ao apaixonar-se por uma mulher ashkenazi e tomá-la como esposa. Cogitou-se na época rebaixar Sir Moshê das suas prerrogativas na sinagoga, mas como ele patrocinava financeiramente a comunidade local, dizem as más-línguas que os caprichos da sinagoga foram superados pelo poder do dinheiro! De fato foi o apelo da natureza. O amor venceu essa barreira da halakhá observada naquela comunidade. E assim segmentos divergentes na comunidade uniram-se, mas pela mão de D’us que mostrou a Sir Moshê a conveniência de obedecer o preceito de Adam contido na Sua Torah (… e deixará o homem seu pai e sua mãe (sinagoga?) … e serão uma só carne…)! Interessante notar que antes de Sir Moshê, outros personagens estiveram em vias de perder prerrogativas na comunidade sefardi de Londres pelo mesmo comportamento; homens sefardim casando-se com mulheres ashkenazitas, como é o caso de Yiaacov Bernal, que foi, em meados daquela data, rebaixado das suas prerrogativas na mesma comunidade, pelo mesmo motivo! Contudo esse matrimônio de sir Mosheh, por assim dizer desigual, acabou no casamento de uma das suas descendentes com o Duque de St Albans que gerou filhos que procediam dos Stuarts! Uma desigualdade que igualou o sangue judeu, ao sangue dos reis, ou de fato igualou o sangue dos reis ao sangue judeu? Não se deve esquecer de um movimento bem mais recente envolvendo uma pequena comunidade na Holanda que formou-se sem reconhecimento e apoio da comunidade judaica oficial. Essa comunidade tem sido um exemplo para outras comunidades, pois perseverando no seu propósito, após consolidada deu origem ao movimento Talmud Torah. A pergunta seria: diante de tanta rejeição e dificuldades qual a razão que leva estes desiguais a perseguirem o status de igualdade com a comunidade dos mais iguais?
Em
alguns casos essa razão foi questão de sobrevivência, como
observado na segunda guerra mundial no êxodo do holocausto. Todos
sabemos que naquela época nem todos que constavam do plano nazista
de purificação das raças inferiores eram judeus. A diferença é
que os judeus dispunham de um plano de resgate organizado utilizado
sempre que possível. Nesses fluxos humanos, muitos pertencentes ao
grupo de risco, tornaram-se, por assim dizer, judeus de alguma forma,
pois desejavam escapar de Adolf Hitler e seus comandados. Há, na
Torah, base para essa suposição, pois desde a saída do Egito
registra Ex 12,49 e 51
nas palavras “…e o prosélito que
peregrina entre vós…”,
“… nesse
mesmo dia, que tirou o Eterno os filhos de Yisrael do Egito..”
de que também, na época da saída do Egito, muitos se uniram aos
israelitas durante a fuga da opressão do rei do Egito. Essas pessoas
tornaram-se prosélitos por força das ações divinas na sua terra e
futuramente seus descendentes não se diferenciaram dos filhos de
Yisrael, antes igualaram-se aos israelitas.
Da
mesma forma que certos fatos influenciaram o segmento judaico da
Europa a partir da década de 50, mais ou menos como em datas
anteriores. Alguns resultados relacionam-se com a indefinição de
alguma origem judaica, que ficou ignorada, muitas vezes por não
existir, a outra de nomes judaicos especiais, como "Conhen"
que passou a ser utilizado por judeus comuns. Até os nossos dias
admite-se que haja dúvidas sobre a origem étnica de algumas
populações. Contudo há teorias que pretendem explicar, por meio de
fatores sociais ou de uma característica do DNA mitocondrial, onde a
mulher figura como peça principal na adaptação genética e de tipo
físico em cada local onde a comunidade judaica se instalou. Esse
dado se baseia em que dentro dessas populações judaicas, as
variações têm sido mínimas mantendo um perfil médio aceitável.
Apesar das mães fundadoras de grande
parte das comunidade judaicas não terem nascido judias, seus
descendentes eram, diz o novo estudo do Dr David Goldstein, Dr Mark
Thomas e Dr. Neil Bradman da Universidade de Londres e outros
colegas, publicado numa edição da Revista Americana de Genética
Humana.
Como exemplo de comunidades judaicas autênticas no estudo, a comunidade ashkenazi das regiões norte e centro da Europa, da qual a maior parte dos americanos judeus são descendentes, apresenta menor diversidade do que o esperado em seu DNA mitocondrial, talvez refletindo a definição maternal do judaísmo. Isso seria, segundo os autores, uma evidência de que, mesmo havendo discordância total dessas comunidades com o perfil judaico nativo, entre si ocorre certa estabilidade, essas características podem ser um indício de que essas comunidades têm origem judaica. Por extensão os defensores da teoria explicam porque há tantos judeus de tipo incompatível com o tipo nativo da palestina. Infelizmente por algumas razões, principalmente dessa estabilidade, fica a questão do porquê teriam sofrido tais variações genéticas relativos ao perfil palestino. Não seria uma tremenda variação? Contudo do ponto de vista de qualquer prova científica, conforme se admite até hoje, deve prevalecer a hipótese mais simples e nesse caso, a hipótese mais simples é de que esses judeus descendem, provavelmente, de pessoas que se converteram ao judaísmo em alguma época ou de judeus que engravidaram mulheres locais, com as quais casaram-se. Por outro lado esses, por assim dizer, fenômenos de adaptação devem ocorrer também em outras populações e não apenas entre judeus, para que se prove a validade científica da hipótese. O que ocorre é que a mulher, por razões da geração do feto no seu útero, transmite o gen paterno do cromossoma Y, pois por meio da fecundação o homem transmite essa característica ao feto e essa é a razão para se falar sobre que a característica genética é passada pela mulher, e é por isso que não importa se a mulher era ou não judia, apenas bastando que tenha sido fecundada por alguém que tenha o gen adequado, contudo para a halakhá é importante que seja a mãe judia.
Acerca ainda do DNA, há uma corrente que pretende provar as origens dos cohanim, baseando-se na hipótese de que os seus cromossomos sejam diferentes e conhecidos, contudo tem-se observado alguns casos em que mesmo para pessoas não inseridas na comunidade judaica a pesquisa tem sido considerada positiva. Ora isso não abriria a possibilidade de que muitas pessoas que hoje procuram suas origens, mesmo sem eles ou antepassado próximo terem participado de uma comunidade judaica, serem de origem judaica? Talvez o grande desejo de se identificarem como israelitas não seja um clamor subconsciente que persiste na busca do seu lar israeli? Contudo nem toda comunidade judaica entende dessa forma, enquanto alguns consideram os convertidos ao judaísmo como judeus e, segundo alguma tradição, o “baal teshuvah” é tão importante quanto um Cohen, outros não os admitem senão como guerim.
Diante disso, toda essa movimentação relativa a Torah e ao judaísmo, permite que hoje o mundo veja o que nunca se viu, sem a preocupação de que alguém tente impedir que aconteça: A grande reunião na diáspora de todos os dispersos trabalhando no retorno às suas origens. É isso que R Yiohanan teria chamado de kibutz gueluiat, ou seja, o retorno a Israel de um grande ajuntamento na diáspora nunca jamais visto. Algo mexeu no mundo e agitou esse agrupamento! A pergunta seria: Por quê todos seguem em direção a Torah? A resposta que poderia parecer simples não é, uma vez que alguns sábios cristãos, nesses dois mil anos relegaram a Torah a um plano inferior como ferramenta de morte e obsoleta.
Evidentemente, resta um segredo em tudo isso, que resistiu firme apesar de todo esse milenar esforço dos estudantes em sublimar a sua luz. Aparentemente, isso se deve a que, alguma coisa permanece residente nas profundezas da alma humana, e hoje meio como “não sei bem o que estou fazendo”, entoam uníssonos com Israel “… etz ĥaiim hi …”. Diante de tanta manifestação, não podemos deixar de relacionar a isso, às impactantes palavras de R Mochê ibn Maimon referente a uma restrição que a Mishná faz ao prosélito.
Carta a Obadiah, o prosélito.
Assim diz Mochê ibn Maimon (Rambam), um dos exilados de Jerusalém, que viveu na Espanha:
Recebi a pergunta do mestre Obadiah, o prosélito sábio e culto, possa o Eterno recompensá-lo por seu trabalho; uma recompensa perfeita lhe seja dada pelo Eterno o Santo de Israel, sob cujas asas ele tem procurado abrigo.
Você me pergunta se está autorizado a dizer nas bênçãos e orações, sozinho ou na congregação, as palavras:
“Nosso D'us” e “D'us de nossos pais”, “que nos santificastes com os teus mandamentos”, “que nos separastes”, “que nos escolhestes”, “que nos herdastes”, “que nos tirastes da terra do Egito”, “que mostrastes sinais e milagres aos nossos pais”, e mais coisas deste tipo.
Sim, você pode dizer tudo isso na ordem prescrita e não mudá-lo em nada. Assim como todo judeu de nascimento diz sua bênção e oração, você também pode abençoar e orar da mesma forma, esteja a orar sozinho ou na congregação. A razão para isso é que o nosso pai Abraham ensinou às pessoas, abriu suas mentes, e revelou-lhes a verdadeira fé e a unidade de D'us; ele rejeitou os ídolos e aboliu sua adoração; ele trouxe muitas crianças sob as asas da Divina Presença; deu-lhes conselhos e advertências, e ordenou a seus filhos e os membros de sua casa depois dele para manter os caminhos do Eterno para sempre, como está escrito:
“Porque eu o tenho conhecido a fim de que ele ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Eterno, para praticarem retidão e justiça” (Gên. 18,19).
Desde então, o que adota o Judaísmo conforme a Torah e confessa a unicidade do Eterno, conforme prescrito na mesma Torah, é contado como discípulo de Abraham, nosso Pai, a paz esteja com ele. Estes homens são casa de Abraham, e ele é que os trouxe para a justiça.
Da mesma forma como ele se converteu, e converteu seus contemporâneos através de suas palavras e ensinamentos, ele converte as gerações futuras através do testamento que deixou para seus filhos e sua casa depois dele. Assim, nosso pai Abraham, que a paz esteja com ele, é o pai de sua posteridade; os piedosos que guardam os seus caminhos, pai de seus discípulos e de todos os prosélitos que adotam o Judaísmo conforme a Torah.
Portanto, eu digo que você deve orar:
“Nosso D'us” e “D'us de nossos pais”, porque Abraham, que a paz esteja com ele, assim como nosso, é também seu pai. E você deve orar: “Você que tomou para si os nossos pais”, pois a terra foi dada a Abraham, como se diz, “Levanta-te, percorre essa terra, no seu comprimento e na sua largura; pois eu a darei a vós” (Gen. 13, 17).
Quanto às palavras:
“Que nos tirastes da terra do Egito” ou “Que fez sinais e milagres para nossos pais” - estes, você pode mudar, se quiser, e dizer: “Que tirastes Israel da terra do Egito” e " Que mostrastes sinais e milagres para Israel. "Se, entretanto, você não os alterar, isso não é nenhuma transgressão, porque uma vez que você veio sob as asas da Divina Presença e confessou o Eterno, não existe nenhuma diferença entre você e nós, e todos os milagres feitos para nós são também são feitos como se fosse também para você.
Como se diz no Livro de Isaías:
“Não fale o filho do estrangeiro, que juntou-se ao Eterno, dizendo: O Eterno tem me separado do seu povo.'” (Is. 56, 3).
Não há diferença alguma entre nós e você. E você pode, certamente, dizer a bênção:
“que nos escolhestes”, “que nos destes”, “que nos tomastes para si próprio” e “que nos separastes”: para o Criador, que Ele seja exaltado, de fato escolhido você, e vos separando dos povos lhe deu a Torah.
Pois, a Torah foi dada tanto a nós como aos prosélitos, como se diz:
“Um mesmo estatuto haja para vós, ó congregação, e também para o estrangeiro que peregrinar convosco, estatuto perpétuo nas vossas gerações; como você é, assim será o peregrino perante o Eterno” (Num. 15,15)”.
Sabemos que os nossos pais, quando saíram do Egito, haviam sido idólatras; misturando-se com os pagãos no Egito e imitando seu modo de vida, até que o Santo, que Ele seja abençoado, enviou Mochê nosso professor, e de todos os profetas, que nos separou as nações e nos colocou sob as asas da presença divina, nós e todos os prosélitos, e deu a todos nós uma Torah.
Ninguém deve considerar a sua origem como inferior. Enquanto nós, israelitas de nascimento somos descendentes de Abraham, Isaac e Jacó, você deriva dEle que criou o mundo pela sua palavra. Como foi dito por Isaías:
“Um dirá: Eu sou do Eterno, e aquele se chamará pelo nome de Jacó” (Is. 44, 5).
Porque R Maimon ibn Maimon teria dito essas coisas ao prosélito Obadiah? Por causa da restrição imposta pela Mishná Bikurim 1,4 relativamente a desigualdade entre o israelita de nascimento e aquele que se converte ao judaísmo que no seu texto original proíbe ao prosélito rezar como um israeli de nascença, então corrige a decisão de que o converso não deve falar, por exemplo: D'us de nossos pais. Mas R Maimon explica que sim, já que o converso é filho de Abraham, igualando assim judeus e não judeus principalmente como filhos de Abraham, e por isso pode falar D'us de nossos pais, pois Abraham é nosso pai!
Mishná Bikurim 1,4:
Estes trazem [Bikurim], mas não recitam a declaração: o prosélito, uma vez que ele não pode dizer que “o Eterno jurou a nossos pais”.
16 Mas, se sua mãe for israelita, então pode fazer ambas as coisas: trazer [Bikurim] e recitar a declaração.
17 Quando ele reza em privado, ele dirá: O D'us dos pais de Israel, mas quando estiver na sinagoga, ele deve dizer: O D'us de vossos pais. Mas, se sua mãe for israelita, ele diz: O D'us de nossos pais.
Como visto, a restrição é estabelecida pela Mishná, a lei oral, não sem alguma razão porque o prosélito pode não ser israelita de nascimento e as frases implicam nessa ascendência israelita, contudo R Maimônides nos ensina citando a Torah e prova que o prosélito, independente da sua origem, pode pronunciar as declarações, pois pertence a todos os filhos de Abraham, cuja identificação maior se obtém imitando-o, pois nosso pai nos ensinou a crença num único D'us, sendo a quem se deve fazer o verdadeiro retorno. Contudo se observamos a Lei da Aliá, notamos que ainda há uma diferença, pois pela referida lei é judeu quem descende de mãe judia, ou é um converso, e que não professa outra religião. Por exemplo alguém que seja filho de uma judia, mas seja um cristão não será considerado pela Halakhá um judeu! Contudo se alguém é filho de mãe judia e é ateu, é considerado judeu, porque não possui outra religião! Então mesmo com o ensinamento de R Maimônides a diferença continua. A pergunta seria: Como uma lei estranha como essa que tem um ateu como judeu, mas exige que um não judeu, para ser judeu, se converta ao judaísmo que implica a crença na unicidade de D'us, algo que um ateu não cogita, possa ter poder de certificar alguém como um judeu?
Adendo:
Traduzi o Nome como Eterno, transladei ainda a Mishná e a própria carta de R Maimônides ibn Maimônides, portanto pode haver imperfeições. Definições de etnia: Uma coletividade de indivíduos que se diferencia por sua especificidade sociocultural, refletida principalmente na língua, religião e costumes; grupo étnico. Para alguns autores, a etnia pressupõe uma base biológica, podendo ser definida como uma raça, uma cultura ou ambas; o termo é evitado por parte da antropologia atual, por não haver recebido conceituação precisa, mas é comumente empregada na linguagem não terminológica.
Artigo postado no site Emigrante de Israel, por Mello Corrêa
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